Portugal dos Pequeninos, por Renato Braz Imprimir E-mail :
26-Ago-2009
 

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28-07-2009

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Sabia que em Portugal a economia informal ultrapassa os 20% do PIB? Menos mal mesmo no informal, alguma coisa se vai fazendo para complementar magros vencimentos e tapar buracos nos orçamentos de muitas e muitas famílias...

Sabia que em Portugal a economia informal ultrapassa os 20% do PIB?

Menos mal... mesmo no informal, alguma coisa se vai fazendo para complementar magros vencimentos e tapar buracos nos orçamentos de muitas e muitas famílias. Bem mais grave é a economia que nem chega a existir devido ao desajuste de algumas políticas fiscais e reguladoras à realidade.

Quanta actividade económica se perde? Quanto incipiente espírito empreendedor se apaga para sempre e se conforma numa vida de "serviço por conta de outrem" porque o nosso governo não reconhece a importância das micro-iniciativas de tantos e tantos portugueses na economia nacional?

Pede-se muito ao governo. Pede-se principalmente em tempo de crise. Pede-se tudo e mais alguma coisa. Pede-se que salve indústrias condenadas como se fosse possível ao governo de um "micro-país" combater a dinâmica inexorável do comércio global e inverter a tendência de desindustrialização que se vive em toda a Europa. Pede-se... mas não se pensa no que se pede. Pede-se sem se entender sequer que são as nossas próprias escolhas diárias, como consumidores, que ditam o que se passa no mundo. Pede-se... porque não custa!

Com a actual e crescente urgência social do desemprego, devíamos dar especial atenção e valor aos pequenos empreendedores, aqueles que se deixam de lamúrias, criam o seu posto de trabalho e com isso sustentam as suas famílias.

Quem sabe quais os futuros frutos dessas iniciativas? Ninguém. A firma pode manter-se sempre uma pequena firma unipessoal, pode definhar e falir ou pode crescer e tornar-se ela mesma numa importante empregadora.

No entanto, no presente é fácil ver os frutos. Os frutos não são só económicos, mas também sociais. Os frutos económicos nascem do facto de que custa muito menos apoiar um pequeno empreendedor a estabelecer um micro-negócio do que continuar a pagar o cada vez mais insustentável subsídio de desemprego. Os frutos sociais são mais difíceis de medir, mas fáceis de entender e estão relacionados com os efeitos positivos na auto-estima das famílias. É muito melhor ser empresário e puxar pela cabeça para fazer pela vida do que estar desempregado e passar os dias em casa a deprimir e a definhar como o mercado de trabalho tradicional. Essa auto-estima ecoa pela sociedade e materializa-se em mais e mais iniciativas num já velho conhecido fenómeno de contágio de empreendedores.

Sabemos que temos um problema de empreendedorismo. Estamos acomodados ao conforto do emprego por conta de outrem, ao emprego para a vida, mas essa época está a acabar. Essa segurança está a desvanecer-se. Na nova época que emerge, inovação e flexibilidade são a chave. É preciso conhecer a realidade, integrar o diferente, escutar o que o mundo pede e endereçar esses pedidos com novos serviços e produtos. É preciso esquecer o passado, ajustar as mentalidades, mostrar a direcção e motivar! Isso sim, é tarefa do Estado. Isso sim, podemos pedir!

Agora é a minha vez de pedir... Nunca pedi nada ao Estado, como tal, estou nervoso!

1ª Criação do estatuto fiscal de micro-empreendedor e ajuste das exigências das entidades reguladoras a esse estatuto. Por incrível que pareça, há pessoas com ideias e talento que não começam pequenos negócios porque o estatuto fiscal e regulador não está ajustado para micro-iniciativas com pequenos rendimentos.

2ª Criação de campanhas de comunicação com o objectivo de mitigar dois problemas muito específicos da nossa cultura nacional fortemente castradores do empreendedorismo: a noção de que não somos capazes e a estigmatização excessiva do fracasso.

- Em relação à noção de que não somos capazes, há a ideia geral de que os "chefes" são pessoas muito diferentes. Isto é errado. Os "chefes" são seres humanos normais e têm sucessos e fracassos como todos. Todos temos inteligência e competências suficientes para começar e manter um pequeno negócio.

Como diria o Obama, "yes we can"!

- O segundo ponto é o combate à estigmatização do fracasso. Quando nos comparamos com outros países mais empreendedores, salta à vista o modo como a sociedade em geral reage ao fracasso. Nos países mais empreendedores, a sociedade é mais tolerante ao fracasso e uma pessoa que tente e falhe não é imediatamente mal vista. Em Portugal, quem falha, mesmo que pela primeira vez, é logo mal visto. Síndrome de aldeia.

Na realidade, tem mais valor uma pessoa que tenta e falha do que outra que nem sequer tem coragem para tentar. Falhar é normal. Por vezes é necessário falhar algumas vezes e aprender com esses erros para se atingir o sucesso. É preciso criar segurança psicológica para que as pessoas se exponham, saiam da sua zona de conforto e tentem ideias novas. Umas vão falhar, mas outras serão sucessos enormes! É por essa razão que muitas empresas cultivam uma cultura do fracasso. Do fracasso nasce a verdadeira inovação e sucesso!

É muito melhor falhar cedo, aprender com os erros e tentar de novo do que alimentar ideias condenadas indefinidamente tornando a inexorável falha muito mais pesada e devastadora.

É fácil imaginar situações giras para comunicar estes pontos!

3ª Introduzir no programa do ensino oficial módulos de abordagem prática sobre pensamento criativo e inovação, processo de geração de ideias, identificação de oportunidades e tendências globais. Com estes módulos, os nossos jovens iriam passar a estar dotados de valiosas ferramentas que os iriam ajudar a ver o mundo com olhos mais treinados para identificar oportunidades e a facilmente passar da sua identificação a ideias concretas de negócio.

São pedidos com custo relativamente baixo e eventualmente com potencial para criar uma saudável efervescência de fundo na economia portuguesa.


Estudante do Lisbon MBA - 02/07/2009 -
renato.braz09@thelisbonmba.com


 
   

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