Sem surpresa, os dados das exportações dos países europeus revelaram que as portuguesas foram as quartas que mais quebraram no contexto dos 27 países da UE.
E dizemos que existe ausência de surpresa porque os efeitos combinados das quebras de produção da AutoEuropa e da Quimonda, por um lado, e o arrefecimento da máquina exportadora alemã, por outro, não poderiam deixar de cobrar um preço elevado a Portugal. Propomos neste artigo que possamos fazer uma inflexão de cariz estratégico assente em três pilares: qualificação da gestão das pequenas e médias empresas exportadoras; incentivos fiscais para a produção de bens e serviços transaccionáveis e incrementar a exportação cultural. A primeira, passa por apoiar as PME a contratarem gestores, permanentes ou interinos, com mais de quinze anos de experiência profissional, preferencialmente desempregados e pré reformados. Quinze anos passados em grandes e médias empresas, com uma sólida formação em Economia ou Gestão de Empresas, darão aos empresários das PME a visão, a estratégia e a implementação táctica de novas ferramentas de gestão, essenciais para o aumento da produtividade e para a conquista de mercados e de clientes. Associações de Gestores e Ordem dos Economistas deveriam ser parceiros no recrutamento e selecção destes Quadros. A segunda, pelo reforço dos incentivos, em via fiscal, à produção de bens e serviços susceptíveis de serem exportados, como forma de conseguir que os maiores grupos e uma boa parte das melhores empresas portuguesas dedicassem uma parte das suas energias de gestão e recursos a conquistarem mercados externos. Isto garantiria uma infusão de qualidade, rigor de gestão e criatividade, vitais para o impulso da produtividade. Só a compita com os mercados mais exigentes e menos locais pode dar o estímulo para sairmos do atoleiro económico em que nos encontramos enquanto país. A consideração final, menos óbvia, é provavelmente não menos importante.
A cultura é uma das formas mais eficazes para se atraírem turistas, investidores e consumidores para os produtos exportados.
Melhor que uma nova auto- -estrada, será promover mais Richard Zimler (O último cabalista de Lisboa) e Mónica Ali (Alentejo Blue). Estes fazem imaginar e sonhar, promovendo indirectamente o segmento de turistas com mais potencial, aqueles com preocupações e sofisticação cultural. Um par de filmes norte americanos ou britânicos, mais uma meia dúzia de escritores, ganhadores do Nobel, Man Booker, Príncipe das Astúrias ou Goncourt, a filmarem ou a escreverem com um enredo situado total ou parcialmente em Portugal, teriam impacto duradouro sobre os fluxos de exportação e de turismo. ‘Product placement', mas sofisticado e para segmentos com poder económico...Finalmente, porque de qualificação de recursos humanos e do lado imaterial da produção nacional falamos neste artigo, é justo destacar um reconhecimento e uma iniciativa. O reconhecimento de que a Universidade Católica continua a subir no ‘ranking' europeu e mundial do Financial Times no que toca à Formação de Quadros. 17ª posição na Europa e no lote das quarenta melhores do mundo, é feito. Bom sinal para a qualificação da Gestão em Portugal. E uma iniciativa meritória, o Programa "Jump-Start" que a Nova Forum/UNL encetou, um programa de Gestão Geral de alto nível, gratuito, destinado a quadros desempregados e entre os 30 e os 45 anos de idade.
Para além dos conceitos e das ferramentas, o programa terá acoplado um processo estruturado de acompanhamento de carreira, estimulando os alunos a assumirem novas funções ou mesmo a iniciar o seu próprio negócio. Um pró bono entre a academia e as empresas suas patrocinadoras, verdadeira responsabilidade social.
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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor e professor universitário